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Cadê a empatia com as mães?


10.nov.15 | 1 Comentário

Desde muito pequena, sempre dizia que queria ser mãe, mãe de dois, um casal, dizia que queria ter um menino primeiro, com 25 anos e uma menina aos 30, o menino teria de vir primeiro para cuidar dela e pronto, a fábrica estaria fechada. É claro que eu nunca imaginaria que meus planos sairiam dos trilhos, apesar de saber que essas coisas não dá para planejar, eu quis acreditar nesse sonho, nessa fantasia.

Quando me tornei mãe, não só minha vida, como minha visão da sociedade e meus princípios e valores, mudaram drasticamente, foi então que eu percebi o quanto meu “sonho” era problemático por motivos que nem conseguiria descrever. Se antes eu agia por impulso, hoje penso não só uma, mas duas, três, até quatro vezes antes de falar ou decidir sobre qualquer coisa. E acredito que a maioria das mães tenha passado pelas mesmas mudanças, ainda que inconscientemente. E quando que me tornei mãe, fiquei muito mais crítica, passei a pesquisar mais e ir em busca de informações que me foram escondidas a vida toda, passei a observar cuidadosamente cada detalhe do meu dia a dia e para minha surpresa a maravilhosa maternidade que muitos pregavam, era uma grande utopia.

Ser mãe é carregar nas costas o peso de cuidar e educar, sem reclamar, ainda que não se seja mãe solo, essa responsabilidade na maioria das vezes recai somente em nossos ombros. E o curioso de tudo isso é que sempre tem um ou outro para dar pitaco na educação de nossas crias. “Porque não bota um brinco nessa criança? Ela parece um menino”. “Esse bebê está muito magrinho, você não está alimentando-o direito”. “Meu Deus do céu, como você tem coragem de ir trabalhar? Ele é tão novinho”. “Cadê o pai da criança? Ele te ajuda? Pelo menos registrou a criança?” Essas são apenas algumas das muitas frases que uma mãe ouve o tempo todo e isso me faz repensar sobre a ideia de maternidade que eu tinha.

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Quando somos apresentadas a maternidade, lá na infância, somos ensinadas que devemos amar e cuidar com todo o amor e carinho do mundo das crias, que se abster de desejos para realizar os desejos de outros é algo bom e que uma mãe está sempre feliz e sorridente, ainda que tenha que cuidar da casa, dos filhos, do marido, do cachorro e etc. Mas ninguém nunca conta, que muitas vezes na fila preferencial do mercado, idosos te olharão de cara feia, porque você está “furando fila”, mesmo que eles estejam com um carrinho cheio e você só com o leite da criança na mão, você precisa aguardar sua vez. Ninguém te conta que no metrô ou no ônibus, ainda que você esteja sozinha, com uma bolsa enorme, um carrinho e o bebê no colo, muitas vezes vai ter que pedir para sentar no lugar que deveria estar reservado para você. E ninguém te conta que quando você precisar amamentar ou trocar seu filho em público, será repreendida com olhares fulminantes. E a internet? A internet não é segura para nenhuma mãe. E por isso, só por isso eu fico me perguntando sobre a utópica empatia com mães que muitos dizem existir.

Ontem eu fui pagar duas contas no banco e só estava com um boleto, daí peguei minha senha preferencial e fui para a filha de outros serviços – que não estava nada pequena – para retirar meu segundo boleto. Primeiro observei que nessa fila não havia prioridade, era de quem chegasse primeiro, até aí tudo bem, sentei numa cadeira próxima, logo depois observei que a senha preferencial estava avançando muito rápido e pensei quando chegou minha vez: “não é possível que 7 pessoas da fila preferencial já tenham passado por aqui, num intervalo tão curto de tempo”. Mas até aí beleza, peguei minha bolsa e já ia me levantando quando vi a senha mais uma vez pular duas casas e pensei: “pera aí, tem alguma coisa muito errada”. Quando cheguei ao caixa, o rapaz já estava atendendo uma senhora, que estava duas senhas na minha frente, eu pacientemente esperei minha vez e quando chegou minha hora disse educadamente “minha senha já passou”, o caixa nem olhou na minha cara e disse: “eu chamei, ninguém veio passei pela senha seguinte”. Nossa, me subiu uma quentura e comecei a tremer de raiva, como assim “ninguém veio?” ele só devia ser louco, comecei a gritar com ele dizendo que estava com criança de colo e que não ia sair correndo com a minha filha dentro do banco porque ele não sabia esperar, ele todo o tempo ficou me rebatendo, em nenhum momento pediu desculpas ou assumiu o erro e aquilo só foi me deixando mais furiosa. Por fim para se “redimir” ele disse que depois de pegar o outro boleto poderia ir direto para o caixa, como se estivesse me fazendo um favor. Ridículo. Era o mínimo que podia fazer por mim, já que não teve a capacidade de pedir desculpas. Eu sai do banco muito chateada e me perguntando, “empatia para quem?”, cadê as pessoas que na fila mesmo do banco perguntaram se minha filha era menino ou menina porque estava sem brinco para me defender? Cadê o idoso que tinha passado na minha frente para repreender o caixa? E porque a caixa mulher que estava ao lado dele ao invés de se meter e dizer que ele estava errado só ignorou toda a situação como se não estivesse ali?

Quando uma situação dessas acontece, os “privilégios” que tenho por ser mãe, não valem de nada.

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